A poesia hebraica não se fundamenta na rima fonética de sons no final dos versos, mas na rima de ideias e pensamentos, denominada tecnicamente de Paralelismo (conceito pioneiramente sistematizado pelo bispo Robert Lowth em 1753).
1. Os Três Grandes Tipos de Paralelismo
1. Sinônimo
O segundo verso reitera o pensamento do primeiro com outras palavras:
לֹא בְחַיִל וְלֹא בְכֹחַ כִּי אִם־בְּרוּחִי
"Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito." (Zc 4:6)
2. Antitético
O segundo verso contrasta e contrapõe a verdade expressa no primeiro:
כִּי־יוֹדֵעַ יְהוָה דֶּרֶךְ צַדִּיקִים וְדֶרֶךְ רְשָׁעִים תֹּאבֵד׃
"Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá." (Sl 1:6)
3. Sintético / Construtivo
O segundo verso desenvolve, completa ou expande a ideia inicial:
יְהוָה רֹעִי לֹא אֶחְסָר׃ בִּנְאוֹת דֶּשֶׁא יַרְבִּיצֵנִי
"O SENHOR é meu pastor, nada me faltará; em verdes pastos me faz repousar." (Sl 23:1-2)
2. O Quiasmo (Estrutura em Cruz: A-B-B-A)
O quiasmo organiza as frases em padrão concêntrico ou cruzado para destacar a verdade crucial no vértice central da passagem, permitindo ao exégeta discernir a ênfase nuclear do autor bíblico.